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O dia em que as empresas pararam de fazer Marketing (e está tudo bem?)

Foto do escritor: Andrei Fix
Andrei Fix
17 de set.
3 min de leitura
Teve reunião de kickoff. Teve briefing, identidade visual revisada, calendário editorial, talvez até um mês ou dois de tráfego pago rodando. A empresa investiu em marketing, de verdade, com gente séria pensando em posicionamento.

E depois, num momento que ninguém marca no calendário, ela parou. Só que continuou postando.


É esse o detalhe que engana. De fora, parece que nada mudou: o feed continua ativo, tem post toda semana, às vezes até todo dia. 


Só que o que sustentava aquele conteúdo (a estratégia, o porquê de cada peça existir, o fio que ligava um post ao outro) foi embora. Sobrou a rotina. Foi embora o motivo.

Isso acontece porque marketing, pra muita empresa, virou sinônimo de rede social. 

E rede social, nesse raciocínio, é tarefa: alguém publica, alguém responde comentário, alguém sobe um story do bastidor. 


Cumpriu a tarefa, cumpriu o marketing. O problema é que presença não é estratégia. Postar é o que se vê. Estratégia é o que decide o que vale a pena mostrar, pra quem, e por quê agora e não em outro momento.


Uma empresa pode publicar trinta dias seguidos e não ter avançado um centímetro em como o mercado a enxerga. 


Porque conteúdo sem direção não constrói nada, só ocupa espaço. E ocupar espaço tem um custo que não aparece na fatura da agência: a marca vira ruído. Mais um perfil bonitinho competindo por três segundos de atenção com outros duzentos, sem nenhum motivo pra ser lembrado depois.


O efeito colateral mais caro disso nem é o silêncio. É a comoditização. Quando a marca para de comunicar diferença e passa só a aparecer, o cliente perde o motivo de pagar mais por ela. Compara preço. Pede desconto. 

Escolhe o concorrente que custa menos, porque, aos olhos dele, os dois entregam a mesma coisa. Ninguém decidiu isso de propósito. Foi consequência de dois anos publicando sem dizer nada que diferenciasse.

Postar sem estratégia é isso. Parece esforço, parece atividade, mas a empresa segue exatamente onde estava, presa na mesma bolha, enquanto quem conseguiu se diferenciar já foi lá na frente.


O que sustenta uma marca não é a frequência de publicação. É o trabalho que não aparece no post: 


É entender o que o mercado mudou de seis meses pra cá, ajustar o discurso quando a concorrência muda de tática, decidir o que a marca vai deixar de falar pra ficar mais afiada no que importa, olhar dado de verdade (não curtida, mas conversa gerada, cliente que voltou, ticket que subiu) e usar isso pra corrigir rota. Isso é trabalho contínuo. Não é um projeto que se entrega e se arquiva.



E aqui mora o outro engano, talvez o mais caro de todos: tratar marketing como reforma de casa. Faz uma vez, fica pronto, só precisa de manutenção leve depois. 

Só que marca não é reforma. É relação. E toda relação que para de receber atenção esfria, mesmo que continue existindo no papel.

Nenhuma empresa decide, num dia claro, abandonar a estratégia. Isso acontece devagar: corta o orçamento de um trimestre difícil, a pessoa que cuidava disso sai e não é substituída, o social media interno assume mais uma função sem ter tempo pra pensar posicionamento. 


Cada decisão isolada parece pequena. Juntas, elas desmontam o que levou meses pra construir.


A pergunta que vale fazer não é se a empresa está postando. É se alguém, hoje, sabe dizer por que ela posta o que posta, pra quem, e o que isso deveria fazer o cliente sentir ou decidir depois de ver. 


Se a resposta demorar mais que alguns segundos, a estratégia já foi embora. Só o post ficou.


Quero saber sua opinião sobre o rumo que a comunicação volátil tomou e as empresas ainda não perceberam a gravidade disso.

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